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sábado, 4 de agosto de 2007

Vídeos Básicos: Invenção do Futebol e Abertura Fifa 06

Mais uma cornetada cultural, agora de vídeos na Internet.

Há muito tempo atrás na Inglaterra, uma terrível praga caira sobre os cavalos. O enorme morticínio de tais animais impossibilitou a realização dos torneios de justa. Sem diversão, o povo estava prestes a se revoltar...

Vídeo já clássico sobre a versão dos comediantes dos "Melhores do Mundo" sobre a invenção do futebol. Tem que constar na ata:



O segundo vídeo é a abertura do Fifa 06. Simplesmente sensacional. Ao invés de fazer um preview com as imagens do jogo, a EA resolveu produzir uma verdadeira declaração de amor ao futebol. Uma pena que essa abordagem tenha sido abandonada em nome de uma mais tradicional no Fifa 07. Como não consegui encontrar uma versão legendada em português, coloca uma tradução do texto abaixo do vídeo...



Jogo após jogo após jogo. Percebo agora o que é mais importante em minha vida: Futebol. Mostre-me algo mais emocionante que um voleio perfeito. Diga-me que nunca sonhou com um chute perfeito. Em ser parte de um momento em que toda uma nação prende o folego. Diga-me que o futebol não é nossa única linguagem comum, quando o planeta todo para por noventa minutos para testemunhar a única coisa que todos nós compreendemos. Sim, você pode me dizer que eu estou errado. Pode me dizer que isso é só um jogo, mas isso diz respeito a heróis e tribos, lealdade e devoção. É nosso compromisso e nossa paixão. Nossa batalha e nossa crença... Essa é a nossa fé. Agora, ouça a agitação da multidão, ouça o clamor dos fiéis. Você é Ronaldinho. Você é Wayne Rooney. Este é o jogo bonito. Este é o seu momento.

Bruno (no aguardo do Fifa 08...)

Febre de Bola



Ontem, assisti ao jogo do São Paulo em um bar. Um bar é um excelente lugar para se assistir a um jogo do seu time especialmente se o dono do bar é um torcedor do seu time. Contudo, é um péssimo lugar para se assistir a um jogo pela autópsia. Isso se deve, obviamente, a quantidade de ruído, conversas, cornetagens e desatenção e não a quantidade de álcool ingerida. Caso contrário, não conseguiria escrever autópsia de jogo algum...

Então, alterei radicalmente o meu projeto de texto e vou fazer uma pequena indicação literária:

A coisa está lá dentro o tempo todo, procurando um jeito de sair.

Acordo por volta de 10 horas, faço duas xícaras de chá, trago-as para o quarto e coloco uma de cada lado da cama. Ficamos bebericando pensativamente; logo depois de acordar há uns intervalos longos e sonhadores entre nossos comentários ocasionais – sobre a chuva lá fora, sobre a noite anterior, sobre fumar no quarto e minha promessa de parar de fazer isso. Ela pergunta o que vou fazer essa semana, e eu penso: 1) Vou me encontrar com Matthew na quarta-feira. 2) Matthew ainda está com o meu vídeo de Os campeões. 3 [Ao me lembrar de que Matthew, um torcedor puramente nominal do Arsenal, não vai a Highbury há dois anos e por isso não pôde observar as aquisições mais recentes em carne e osso.] Eu fico imaginando o que ele achou de Anders Limpar.

E em três estágios simples, 15 ou 20 minutos depois de acordar, já começo a viajar. Vejo Limpar correndo em direção a Gillespie, desviando para a direita e caindo: PÊNALTI! DIXON MARCA! 2 a 0! ... O toque de calcanhar de Merson e o chute de pé direito de Smith entrando no canto oposto, ainda na mesma partida... Merson dando um pequeno empurrão na bola e desviando-a de Grobbelaar, lá em Anfield... O giro e a bomba de Davis contra o Villa... (E isso, lembrem-se, é uma manhã de julho, nosso mês de folga, quando os clubes de futebol estão de férias.) Ás vezes, quando deixo que este estado sonhador tome conta de mim completamente, vou recuando cada vez mais, passando por Anfield em 1989, Wembley em 1987, Stamford Bridge em 1978, com toda a minha vida futebolística passando num clarão diante dos meus olhos.

-No que você está pensando? – pergunta ela.

A essa altura eu minto. Não estava pensando nem um pouco em Martin Amis, em Gerard Depardieu ou no Partido Trabalhista. Mas é que nós, obsessivos, não temos escolha; temos de mentir em ocasiões como essa. Se disséssemos a verdade todas as vezes, seríamos incapazes de manter um relacionamento com qualquer pessoa do mundo real. Apodreceríamos sozinhos com nossos programas do Arsenal, nossas coleções de discos de rótulo azul originais da Stax ou nossos spaniels Rei Charles, enquanto nossos devaneios de dois minutos se alongavam; aí perderíamos nossos empregos e pararíamos de tomar banho, fazer a barba e comer; acabaríamos deitados no chão em meio à nossa própria imundície, voltando a fita sem parar na tentativa de decorar todos os comentários, inclusive a análise profissional de David Pleat, sobre a noite de 26 de maio de 1989. (Vocês acham que eu tive de verificar essa data? Ah!) A verdade é a seguinte: durante trechos alarmantemente grandes de um dia normal, sou um retardado.

Poucas pessoas entendem mais sobre a alma masculina e suas obsessões que Nick Hornby. Esse foi o único livro de sua trilogia masculina (Febre de Bola, Alta Fidelidade e Um Grande Garoto) que li. Infelizmente, dos outros pude conferir apenas as adaptações cinematográficas. Mas, isso já foi mais do que suficiente para me identificar e para reconhecer o incrível conhecimento de Hornby sobre a alma masculina.

Neste livro, Hornby decidiu contar a história da sua vida por meio dos jogos do Arsenal. Usando os jogos de seu time do coração como um gancho para sua memória, Hornby nos conta sobre seu complicado relacionamento com o pai, sobre seus amores, sobre sua ida a faculdade, seus empregos, etc. Tal estratégia narrativa funciona muito bem justamente por não ser uma estratégia narrativa, como admite, não sem um pouco de vergonha, o fanático “Gunner”: é assim que sua memória funciona!

Febre de bola não é um livro científico, nem jornalístico. Não é um estudo sobre ser um torcedor. É simplesmente a historia de um torcedor contada para outros torcedores. E isso o torna único. Não apenas para nos identificarmos com o livro, mas também para percebemos o incrível poder do futebol de igualar e unir na mesma paixão os calorosos brasileiros e os fleumáticos ingleses. Ou seja, no fundo torcedor é torcedor. Só muda o time.

Uma sugestão final: após ler o livro, indique-o à sua mulher. Talvez assim, ela finalmente entenda como você se sente quando ela interrompe o jogo de seu time do coração para mandá-lo lavar a louça ou discutir a relação...


P.S: Justiça seja feita. Nem todas as mulheres são assim. Juliana, minha namorada, entende a magia do esporte bretão. E foi ela quem me deu Febre de bola de presente. Com o objetivo de, nas palavras dela, “unir minhas duas paixões: leitura e futebol”. No que ela se enganou, pois, ao fazê-lo, estava unindo minhas três paixões...


Bruno (que tem sua vida atrapalhada não só pelo futebol. Mas também, pelos quadrinhos, filmes, seriados, livros e RPG...)